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Aqui, é o que me apetece!!

Não só o que me apetece, mas quando me apetece e sobre o que me apetecer! Tenho dito!... E vou continuar a dizer!



Sexta-feira, 12.09.14

Agora na flor da idade é que me deu para isto…

A primeira vez que me apercebi, foi numa das visitas do papa João Paulo II a Fátima. Assim que cheguei, fiquei de tal forma transtornada que, a primeira coisa que fiz foi dirigir-me à Rodoviária Nacional e comprar bilhete de regresso a Leiria.

Aquela massa humana, que parecia sempre caminhar na direção contrária à que eu levava, estava a enlouquecer-me. Quase que sufocava quando me cruzei com os agentes de segurança pessoal do Papa, todos de fato escuro, semblante carregado, autênticos «armários» que, de repente, me rodearam por todo o lado. Lá consegui dirigir-me ao local de encontro com a restante equipa do jornal e, sempre com a hora do expresso em mente, tive o discernimento de respirar fundo e fazer o meu trabalho. Era para isso que lá estava, e não propriamente para ver o Papa, até porque me vim embora ainda antes dele chegar.

 

A segunda vez foi em plena rua, no Cairo. Consegui que a minha curiosidade levasse a melhor e fui  à descoberta da cidade. Mas completamente desorientada com aquela parafernália de gente, cores, cheiros…. E agarrada ao meu Marido, qual lapa agarrada a uma rocha. Mas, quando em pleno Centro Comercial, a subir umas escadas rolantes, dois mafiosos que vinham em sentido contrário se agarraram às duas enfermeiras que vinham connosco – sim, eram loiras – estava a ver que desmaiava. Nem sei como é que conseguimos todos (éramos 6…) manter o sangue frio e sair dali sem haver uma peixeirada de todo o tamanho.

Ora, países tipo Egipto (Marrocos, Tunísia, etc.), ficaram para todo o sempre riscados dos meus mapas de futuras férias. Como não tenho tido folga financeira para viajar, também não tenho pensado muito nisso, acreditem…

 

Sim, sofro de Agorafobia  - «… (do grego ágora - assembleia; reunião de pessoas; multidão + phobos - medo) é originalmente o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão. Em realidade, o agorafóbico teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal e não pelo medo da multidão em si. Muitas vezes é sequela de transtorno do pânico. Quando o medo surge é difícil saber se, se está tendo um ataque de pânico ou Agorafobia, porque ambos tem quase os mesmos sintomas. (…)».

E não, não é um ataque de pânico, é um medo de perder o rumo próprio no meio daquela gente. Do género: se se lembrarem de caminhar para um abismo, vão levar-me com eles porque não vou conseguir contrariar o rumo que leva o rebanho.

 

«(…) O agorafóbico não teme ser avaliado pelas pessoas que frequentam aquele espaço – ele teme não ter a quem recorrer caso se sinta mal. Do mesmo modo, tais pessoas podem desenvolver o medo de andar de elevador, dando vazão à claustrofobia, que é outra manifestação possível da agorafobia. (…)» 

Quais sentir mal, caramba? E avaliem à vontade, eu quero lá saber o que é os outros pensam… Eu não gosto é de ser espezinhada, seja em sítios fechados ou abertos. E, num elevador cheio, há sempre um palhaço que, antes da porta fechar, se atira lá para dentro, obrigando quem já lá estava a esmagar-se.

 

Isto não são as fobias no estado puro em que as descrevem; são derivadas.

Tal como sou uma derivada do que outrora fui. Caso contrário, como é que sobrevivi a discotecas, bares académicos, edições do Sudoeste, Paredes de Coura, Semanas Académicas, Enterros da Gata... E não, o álcool não é a razão.

 

Logo agora que eu estava na flor da idade, e queria taaaaanto ter ido à Vogue’s Fashion Night Out… Olhem, fiquei completamente Out!!, foi o que foi.

E não, não foi a falta de guito para ir às compras. São as fobias…

 

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por Mamã às 15:53


4 comentários

De J. M. a 12.09.2014 às 19:13

Oh! É pena desenvolvermos este tipo de fobias. Mas olha: Não estás sozinha!
Desde Janeiro que tenho dificuldade em estar numa "discoteca". É verdade, mal entro num espaço que tenha tamanho suficiente para ser mais que um bar, possua uma pista de dança, tenha música num volume extremamente elevado e luzes de todas as cores a piscar, começo a entrar em paranóia.
Eu ADORO dançar, adoro estar em bares apinhados, adoro ouvir música aos berros, e adoro estar naquele (quase) escurinho social onde a luz de vez em quando dá um ar da sua graça. Ou melhor, parece que adorava, porque começar a sentir uma espécie de quebra de tensão, tonturas, "falha-se-me" a visão!...
Agora aos pouquinhos tenho ido a bares cada vez mais apinhados e cada vez mais barulhentos e tento resistir ao mal estar!

De Mamã a 12.09.2014 às 19:37

Olha, nunca pensei, amigo. Estou solidária contigo e deixo-te aqui o meu voto e abraço de encorajamento para contrariares esta tendência.
Será da PDI???

É que a cena das multidões em espaços abertos só me dava neste tipo de situações, desconhecidas, imprevisíveis. Porque continuava a frequentar bares e discotecas e, naquela altura, os bares em Leiria concentravam-se numa praça sempre apinhada de gente e nunca me senti assim. Porque o lugar e as pessoas me eram familiares e o ambiente era como que controlado: eu conhecia o ambiente.

Agora... Até na Festa de Natal me sinto mal. E desde o ano em que decidiram que era tudo no mesmo pavilhão... Pois é, eis a razão porque não fui no ano passado. Não consigo. E não vale a pena o esforço porque passo o tempo todo a pensar na hora «menos foleira» para poder ir embora e não aproveito nada da festa...
É mas pouco...

De marrocoseodestino a 15.09.2014 às 18:31

Compreendo-te, não que sofra do mesmo, mas também não gosto de estar rodeada por muita gente.
Nem de proposto falas de Marrocos e eu venho de lá. Realmente aquilo é gente e mais gente nas ruas. Mas ainda assim adorei, como deves calcular.

De Mamã a 16.09.2014 às 13:40

Joana, não deixo de ter gostado muito do Cairo, mas o maranhal.... eh pá, o maranhal é muito grande e quase não consegui abstrair-me.
OK, às vezes acontece-me o mesmo no Metro, mas aí é só pensar nas paragens em contagem decrescente, porque raramente são mais de 3 ou quatro...
Quem me vir deve pensar que estou grávida e com a gravidez escondida na barriga das pernas, porque vou o tempo todo a fazer respiração controlado, tipo lamaze....

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